Durante um recente conflito militar envolvendo forças iranianas, bem como as forças conjuntas dos Estados Unidos e o regime israelense, símbolos do passado comum da humanidade ficaram ameaçados. De acordo com o Ministério do Patrimônio Cultural, Turismo e Artesanato do Irã, danos foram causados a 149 edifícios e estruturas históricas em 18 províncias.
Entrevista com o Diretor do Museu
Em uma entrevista exclusiva para o Tehran Times, Dr. Jabrial Nokandeh, diretor-geral do Museu Nacional do Irã e um dos principais arqueólogos do país, falou sobre estratégias de trabalho de emergência de museus, métodos de preservação em tempos de guerra, preservação digital e que a proteção do patrimônio cultural é uma responsabilidade de toda a humanidade.
Natureza das Destruições
Na opinião do Dr. Nokandeh, o dano a 149 locais históricos em 18 províncias vai muito além de danos acidentais ou perdas colaterais; isso representa um ataque direcionado à memória histórica do Irã. O Irã possui um desenvolvimento cultural contínuo de mais de dez mil anos, e suas tradições sobreviveram ao desaparecimento de muitas civilizações. Locais como o Palácio de Golestan e o Complexo Cultural Sa'adabad fazem parte não apenas da história do Irã, mas também da civilização humana, e ele condena veementemente ataques a eles.
Ele enfatizou que o patrimônio cultural do Irã pertence a toda a humanidade, e a comunidade internacional tem um dever legal e moral de protegê-lo, reconhecendo o Irã como berço da civilização.
Lições de Gestão de Museus na Guerra
Durante a guerra de 12 dias contra o regime israelense e combates posteriores, os museus tiveram que aplicar medidas de emergência sem precedentes nas últimas décadas. Embora esses conflitos tenham sido complexos, eles tiveram precedentes, como a evacuação do Museu Nacional durante a Guerra Irã-Iraque em 1988, quando Teerã foi alvo de bombardeios de mísseis.
Os protocolos internacionais exigem uma avaliação contínua de riscos. Dependendo do nível de ameaça, as coleções são movidas para um depósito seguro ou permanecem no local sob proteção especial. Durante a guerra de 12 dias, quando grande parte de Teerã foi evacuada, o acesso a equipamentos e apoio logístico foi extremamente limitado. No entanto, esses dias difíceis se tornaram uma experiência prática inestimável para museus em todo o país.
Combates subsequentes permitiram que os museus agissem de forma significativamente mais preparada, pois o pessoal já tinha experiência em operações de emergência, recebia treinamento adicional e entendia melhor suas responsabilidades. Foram realizadas reuniões para revisar o transporte de artefatos, procedimentos de documentação de emergência, logística de armazenamento e métodos de preservação em tempos de guerra. Alguns protocolos existentes mostraram-se eficazes, enquanto outros necessitaram de revisão nas condições modernas.
Proteção de Monumentos Insubstituíveis
Cerca de 3508 artefatos móveis foram transferidos para o Museu Nacional, incluindo moedas, esculturas, cerâmicas e objetos arqueológicos. No entanto, muitas coleções não podem ser movidas, pois alguns monumentos de pedra pesam duas ou três toneladas, e outros estão integrados à arquitetura do próprio museu. A prática internacional prevê protocolos especiais para proteger esse patrimônio imóvel.
O primeiro passo é a aplicação de materiais de proteção resistentes ao fogo, após o que estruturas de proteção temporárias são erguidas ao redor dos objetos. Neste caso, foram instaladas estruturas de andaimes reforçadas com grandes sacos de areia que absorvem o impacto de destroços voadores. Também foram construídos telhados de proteção inclinados sobre objetos vulneráveis para dispersar detritos em queda. Em última análise, os monumentos ficam quase totalmente envoltos em camadas de sacos de areia. Este método é econômico, utiliza materiais disponíveis e pode ser implementado rapidamente em uma emergência.
Esses métodos, desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial, foram aplicados durante a guerra na Ucrânia, onde museus protegeram tanto coleções internas quanto monumentos públicos.
Priorização da Evacuação de Artefatos
A determinação da ordem de movimentação dos artefatos começa com a avaliação de riscos. Os especialistas avaliam a natureza da ameaça. A atenção prioritária é dada a itens de ouro ou prata, bem como a materiais frágeis, como manuscritos, documentos de papel e artefatos orgânicos, que podem ser rapidamente destruídos pelo fogo. Cada item é avaliado por vários critérios: vulnerabilidade, importância nacional, valor histórico e possibilidade prática de transporte seguro.
Graças aos esforços dos funcionários, todos os 3508 itens foram movidos com segurança, e as coleções restantes foram protegidas no local de acordo com os últimos padrões internacionais de conservação estabelecidos pela ICOM. Como resultado, o Museu Nacional do Irã não sofreu danos em nenhum dos conflitos, embora locais como o Palácio de Golestan e o Complexo Cultural Sa'adabad tenham sofrido danos.
Significado do Escudo Azul
O Museu Nacional do Irã exibiu o sinal do Escudo Azul no início do conflito, em conformidade com obrigações internacionais. Este sinal baseia-se na Convenção de Haia de 1954 para a Proteção de Bens Culturais em Caso de Conflito Armado, que reconhece museus e monumentos como bens protegidos que não devem se tornar alvos militares.
Dr. Nokandeh observou que, embora o emblema não possa impedir fisicamente um míssil, ele cumpre uma função crucial: confirma que a instituição cumpriu suas obrigações legais sob convenções internacionais, criando um testemunho documental das medidas de proteção tomadas. Ele considera o Escudo Azul não apenas um símbolo de proteção, mas também uma ferramenta diplomática, legal e documental.
Riscos da Guerra Moderna
O especialista também apontou as ameaças indiretas impostas pelos tipos modernos de armamento. Mesmo que um míssil não atinja diretamente um monumento, a onda de choque pode danificar edifícios, enfraquecer estruturas antigas, quebrar janelas e desestabilizar elementos arquitetônicos. Esses efeitos secundários afetaram locais como o Palácio de Golestan e a Mesquita Imam. Ele enfatizou que a responsabilidade internacional não termina com a evitação de um ataque direto, e os planejadores militares são obrigados a considerar a zona de proteção circundante.
Documentação Digital como Necessidade
O Museu Nacional investiu em documentação digital e escaneamento tridimensional de suas coleções. Dr. Nokandeh afirmou que hoje a documentação digital deixou de ser opcional, tornando-se um dos deveres profissionais fundamentais de um museu.

