A previsão baseia-se no Documento de Cenário Fiscal de Médio Prazo 2027–2029, aprovado hoje pelo Conselho de Ministros e que servirá de base para o desenvolvimento do Plano de Desenvolvimento Económico e Social e Orçamento de Estado (PDESO) para 2027. Esta informação foi divulgada pelo secretário de imprensa da reunião em Maputo.
Estratégia Fiscal e Macroeconomia
Innocêncio Impissa esclareceu que este documento é o 'principal instrumento de planeamento macrofiscal e orçamental do Estado', pois estabelece 'a estratégia fiscal, as projeções macroeconómicas e fiscais, bem como os limites gerais de despesa para o período de três anos'. Ele acrescentou que isto permite 'consolidar a preparação' do PDESO, fortalecendo a disciplina, previsibilidade e transparência na gestão das finanças públicas.
Segundo o representante, 'o cenário fiscal de médio prazo 2027–2029 define um quadro fiscal prudente, realista e executável, orientado para a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade das finanças públicas.'
Projeções de Crescimento do PIB
Impissa observou que o governo espera uma 'recuperação gradual da atividade económica em condições ainda marcadas por dificuldades externas, incluindo restrições financeiras, volatilidade dos preços das matérias-primas e riscos climáticos'. No cenário base, o PIB real deve crescer em média cerca de 4,9% ao ano com gás e 2,1% sem ele, mas até 2029, com o início da produção dos projetos de gás natural liquefeito, o crescimento pode atingir 9,5%.
Projetos de Gás
Moçambique possui três megaprojetos aprovados para a exploração de reservas de GNL na bacia do Rovuma, considerados alguns dos maiores do mundo localizados na costa de Cabo Delgado. Entre eles, há o projeto TotalEnergies, que está a ser renovado, e o projeto ExxonMobil (18 milhões de toneladas por ano, no valor de 30 mil milhões de dólares, ou 26,1 mil milhões de euros), que aguarda uma decisão final de investimento. Ambos os projetos estão no planalto de Afungi. Junta-se a eles a italiana Eni, que produz cerca de sete milhões de toneladas por ano desde 2022 a partir da plataforma flutuante Coral Sul. A partir de 2028, esta plataforma será duplicada pela segunda plataforma Coral Norte, no âmbito de investimentos de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros), com planos para a construção de uma terceira unidade.
Consolidação Financeira e Dívida
O documento governamental prevê também uma redução gradual da inflação, que deverá cair de 8,7% em 2026 para cerca de 5,5% em 2029. O secretário de imprensa sublinhou que o cenário aprovado reflete o compromisso do governo com a consolidação gradual das finanças públicas. Para isso, serão reforçados a 'mobilização de receitas internas, o aumento da eficiência das despesas públicas e a contenção da pressão estrutural, especialmente no que diz respeito à folha de salários e aos compromissos de dívida.'
O governo continuará a priorizar investimentos públicos seletivos e faseados, direcionados para setores estratégicos, como infraestrutura, agricultura, energia, capital humano e transformação estrutural da economia. Além disso, espera-se uma diminuição gradual da percentagem da dívida pública na economia: deverá cair de 72,2% do PIB em 2025 para 67,1% em 2029. O serviço da dívida também deverá diminuir significativamente através de uma gestão mais prudente, aumento do uso de financiamento a juros favoráveis e redução da exposição a instrumentos de curto prazo.
Riscos e Próximos Passos
No entanto, o governo reconhece a existência de riscos 'internos e externos' que podem colocar em causa o cumprimento das previsões, incluindo choques climáticos, problemas de segurança, rigidez das despesas públicas, volatilidade dos mercados internacionais e condições financeiras globais. Não obstante, foi declarado que o governo continuará a monitorizar estes riscos e a tomar as medidas necessárias para manter a estabilidade das finanças públicas. Com a aprovação do documento, foram definidas as bases para a preparação do orçamento do próximo ano, acrescentou Impissa.


