Moçambique recebeu 1363 cidadãos que foram vítimas de xenofobia na África do Sul. Inosensio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, informou aos jornalistas em Maputo que, desde o início dos ataques xenófobos, 1363 cidadãos nacionais foram repatriados, sendo que 625 pessoas chegaram ao país entre 1 e 4 de julho.
Trabalho Governamental e Profissões
O governo está a trabalhar para garantir a continuidade do trabalho dos cidadãos, mapeando as suas profissões. Dos total de repatriados, 809 declararam ter uma profissão, incluindo pedreiros (363 pessoas), artesãos (102), trabalhadoras domésticas (77), artistas (87), bem como eletricistas, carpinteiros, azulejistas e canalizadores, cada um com menos de 20 pessoas.
Integração e Cooperação Internacional
O governo informou que o processo de certificação destes cidadãos repatriados está em curso para a sua fixação profissional no estrangeiro, no âmbito de memorandos de mobilidade laboral com países como Portugal e Emirados Árabes Unidos. O Presidente de Moçambique afirmou anteriormente, a 4 de julho, que o governo avalia a possibilidade de incluir as vítimas de xenofobia em grandes projetos implementados no país, bem como noutras vagas no estrangeiro no âmbito da cooperação internacional para resolver o problema do emprego.
Situação na África do Sul e Ajuda aos Migrantes
O porta-voz também notou o aumento dos ataques em várias províncias da África do Sul. Os incidentes incluem roubos e incêndios de residências, saques, violência física, intimidação e despejo forçado de cidadãos estrangeiros das suas comunidades. Impissa acrescentou que o país já recebeu em trânsito pelo menos 6156 cidadãos do Malawi, que foram posteriormente transportados para a província de Tete, localizada no centro do país, na fronteira entre o Malawi e Moçambique.
Apoio Consular e Reação Política
O Ministério dos Negócios Estrangeiros continua a interagir com a embaixada do Malawi em Moçambique para melhorar a coordenação das ações de transporte e assistência aos cidadãos do Malawi em trânsito por Moçambique para esse país. Os episódios de violência contra estrangeiros levaram o governo de Moçambique a reforçar a ajuda consular e as operações de repatriação dos cidadãos afetados, continuando a monitorizar a situação através de representações diplomáticas e consulares na África do Sul.
Manifestantes anti-imigração da África do Sul apresentaram um ultimato até 30 de junho, exigindo que todos os estrangeiros deixassem o país. O governo sul-africano anunciou nos últimos dias a introdução de restrições na política migratória e o reforço da segurança, enquanto Moçambique recebeu mais 65 cidadãos nacionais repatriados hoje.
Escala da Violência
O Presidente de Moçambique reconheceu o agravamento da xenofobia na África do Sul em 1 de julho, após incidentes violentos envolvendo cidadãos moçambicanos, e garantiu condições logísticas para a repatriação e alojamento das vítimas. O governo de Moçambique informou no mesmo dia que pelo menos 283 moçambicanos foram atacados, suas casas foram incendiadas e seus bens saqueados durante a última onda de ataques xenófobos na África do Sul, tentando lhes prestar assistência e repatriação. No dia seguinte, o Presidente de Moçambique declarou que 38 moçambicanos que viviam legalmente na África do Sul foram atacados e expulsos de suas casas durante os ataques xenófobos. Moçambique tem cerca de 300 000 cidadãos a viver na África do Sul, e o Presidente indicou na declaração que 'milhares' já regressaram ao país devido à violência.



