As plataformas de comunicação social públicas húngaras suspenderam as suas transmissões, um evento descrito como um «dia histórico». Esta mudança foi anunciada por Magyar nas redes sociais, após ele ter conquistado vitórias eleitorais em abril, pondo fim aos 16 anos de mandato de Viktor Orbán.
Declaração e encerramento dos meios
Magyar afirmou na sua publicação que «Mentiram à noite, mentiram durante o dia, mentiram em todos os canais. Isso acabou». Especificamente, o canal M1 e a rádio Kossuth interromperam as suas operações. O canal televisivo M1 exibiu uma tela preta com a mensagem: «Os meios de comunicação públicos não podem mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante muitos anos. A imprensa pública está a transformar-se para ser independente e confiável no futuro. O serviço de notícias está temporariamente suspenso. Continue connosco».
Situação das plataformas digitais
As páginas online destes mesmos meios também apresentaram uma tela escura, enquanto a frequência da rádio Kossuth transmitia a programação da estação musical Bartók. De acordo com um comunicado de imprensa do grupo MTVA, que gere os diversos canais, os programas da M1 serão retomados à noite, mas sem incluir os boletins de notícias.
Promessas e contexto político
Quatro dias após a vitória eleitoral de 12 de abril, Péter Magyar havia prometido, numa entrevista ao canal, que iria «suspender imediatamente o serviço de notícias falsas que opera» na M1, sendo esta a sua primeira entrevista em 18 meses. Segundo a organização não-governamental Repórteres sem Fronteiras (RSF), cerca de 80% da imprensa era controlada pelo ultraconservador Viktor Orbán, que esteve no poder por 16 anos consecutivos, ou por empresários ligados ao poder. Esta decisão sobre os órgãos públicos representa um avanço no processo de desmantelamento do sistema de Orbán, conforme prometido pelo conservador Magyar durante as eleições legislativas.
