Há dez anos, a estação interplanetária autônoma 'Juno' iniciou suas operações na órbita de Júpiter, fornecendo continuamente novos dados aos planetologistas sobre o maior gigante gasoso do Sistema Solar. As informações coletadas ajudam os cientistas a entender os mecanismos de origem e desenvolvimento deste gigante gasoso, além de fornecerem chaves para compreender os processos que ocorrem em exoplanetas.
Expansão do Programa Científico da 'Juno'
Em meados de 2021, foi lançado um programa científico expandido para a 'Juno'. O aparelho continua sendo a única estação de pesquisa operando entre as órbitas de Júpiter e Plutão. Se inicialmente o foco principal da estação estava no próprio gigante gasoso, agora as tarefas incluem passagens próximas por grandes luas: Ganimedes, Europa e Io.
Estudos das Luas de Júpiter
Ganimedes e Europa receberam três passagens cada, enquanto Io, sendo o corpo mais vulcanicamente ativo no Sistema Solar, foi estudado dezesseis vezes. Graças a essas observações, os planetologistas conseguiram detectar fluxos de lava recentes e lagos de lava ativos. Um modelo tridimensional de um dos picos montanhosos de Io, com sua sombra característica contra paisagens vulcânicas coloridas, foi criado, e também foram registrados altos 'guarda-chuvas' de erupções.
Durante uma passagem próxima em 16 de outubro de 2023, foi obtida a imagem mais detalhada das faces diurna e noturna de Io. Nela, é visível a montanha Dit — um pico alongado de 5 a 7 quilômetros de altura, projetando uma sombra nítida. Esta montanha foi nomeada em homenagem a uma cidade da obra de Dante. Além disso, em maio e dezembro de 2023, os instrumentos da 'Juno' registraram um canal de lava ativo de 65 quilômetros em Paterae Gal, que foi comparado com outro canal em Io.
O instrumento JIRAM da 'Juno' tirou uma imagem infravermelha de vulcões ativos no hemisfério sul de Io em 27 de dezembro de 2024, onde, à direita do polo sul, havia um ponto quente de atividade recorde. Io possui mais de quatrocentos vulcões. Os dados iniciais sobre suas propriedades e localização sugeriam a existência de um oceano magmático subsuperficial global, mas os cientistas concluíram que a situação é mais complexa: a lua provavelmente possui tanto reservatórios magmáticos profundos quanto fundidos pouco profundos.
Durante a passagem de 15 de outubro de 2023, a 'Juno' fotografou a pluma do vulcão Proteus perto da fronteira dia-noite. Também foram registrados anéis de ejeções vulcânicas ao redor de Paterae Nucum — depósitos ricos em enxofre, com cerca de 1100 quilômetros de largura, formados durante uma pausa de duas meses nas observações.
Descobertas em Ganimedes e Europa
Em Ganimedes, a 'Juno' descobriu moléculas orgânicas e registrou auroras polares semelhantes às terrestres e jovianas. Quanto a Europa, conhecida por seu oceano de água sob o gelo, a estação refinou a espessura média da crosta de gelo, que atinge 29 quilômetros. A 'Juno' forneceu as imagens mais detalhadas da lua e determinou que a principal causa da destruição de sua superfície é o bombardeio de partículas carregadas. O aparelho também registrou ondas eletromagnéticas nas magnetosferas das luas, que posteriormente foram convertidas pelos cientistas em sinais sonoros.
Além disso, a 'Juno' contribuiu para o estudo de Júpiter. Um novo e mais preciso modelo da forma do gigante gasoso foi desenvolvido, levando em conta o impacto dos ventos zonais. De acordo com este modelo, os raios polar, equatorial e médio do planeta são de 66842, 71488 e 69886 quilômetros, respectivamente, indicando que Júpiter é ligeiramente menor e mais achatado do que se supunha anteriormente.
Atmosfera e Campo Magnético de Júpiter
A estação capturou as nuvens de Júpiter em 7 de setembro de 2023, a uma altitude de cerca de 7700 quilômetros, registrando turbulência e tempestades na atmosfera, particularmente nas altas latitudes do norte perto da fronteira dia-noite. A 'Juno' também aprofundou o estudo da Grande Mancha Vermelha, aumentando a estimativa de sua profundidade: se as avaliações iniciais eram de cerca de 240 quilômetros, os novos estudos apresentam valores entre 200 e 500 quilômetros. Uma descoberta importante foi a capacidade dos elétrons na magnetosfera de Júpiter, antes da onda de choque frontal, de acelerarem a energias muito altas, o que ajudará na criação de modelos mais precisos de aceleração de raios cósmicos.
Além disso, a 'Juno' registrou explosões de raios jupiterianos e conseguiu captar sinais de rádio de descargas de tempestade escondidas em supertempestades. A potência de alguns desses sinais de rádio era comparável às explosões de raios terrestres, e outros superavam-nas em um milhão de vezes. Também foi confirmada a hipótese de que tempestades poderosas podem ser acompanhadas por granizo composto por uma mistura de gelo de água e amônia. Processos semelhantes, supostamente, ocorrem em Saturno, bem como nos gigantes de gelo Urano e Netuno.
Problemas e Futuro da Missão
Ao longo de seus anos de operação, a 'Juno' enfrentou vários desafios, incluindo a necessidade de transições para modo seguro e falhas temporárias de câmera devido ao alto nível de radiação. No entanto, atualmente, a estação enfrenta outra ameaça — a burocracia terrestre. O plano orçamentário proposto pelo Congresso da NASA para 2027 prevê um corte significativo no financiamento de várias missões interplanetárias em andamento, colocando em risco a possibilidade de continuação das operações da estação robótica.
Após a conclusão bem-sucedida da manobra de transição para a órbita de Júpiter, que exigiu 35 minutos de funcionamento do motor principal para reduzir a velocidade em meio quilômetro por segundo, o aparelho foi capturado pela atração gravitacional do gigante gasoso. Agora, a 'Juno' funciona como satélite artificial do maior planeta do Sistema Solar, e os cientistas estão se preparando para iniciar a fase científica da missão, a fim de responder a uma série de questões chave sobre Júpiter.
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