De acordo com o relatório mais recente da agência das Nações Unidas, o PAM ofereceu suporte a 427.008 indivíduos em Moçambique durante o mês de maio. Este apoio foi concretizado através da distribuição de mais de 2.253 toneladas de alimentos e da transferência de 2,78 milhões de dólares (o equivalente a 2,40 milhões de euros) em auxílio financeiro.
Escalonamento da Assistência Humanitária
O documento explica que, após um período de redução forçada do programa em março devido a problemas de financiamento, a obtenção de recursos extras possibilitou ao PAM aumentar a assistência, visando 425.000 pessoas no período de abril a maio, superando as cerca de 250 mil atendidos no ciclo anterior.
Foco na Província de Cabo Delgado
A província de Cabo Delgado, localizada no norte de Moçambique, que possui grandes reservas de gás natural e tem sido palco de uma insurgência armada desde 2017, registou o maior número de beneficiários da ajuda humanitária. Neste ciclo de distribuições de abril e maio, 247.800 pessoas afetadas pelo conflito foram apoiadas, o que representa 58% da meta estipulada para esse período.
Adicionalmente, 2.400 pessoas receberam assistência em Palma, por meio do Programa Conjunto de Resposta das Nações Unidas, como medida de resposta rápida após severas inundações.
Desafios de Segurança e Recuperação
O relatório aponta que a instabilidade persiste e continua a dificultar os esforços de recuperação no norte do país. Mais de 506.000 pessoas encontram-se deslocadas internamente, enquanto aproximadamente 715.000 retornaram às suas áreas de origem, enfrentando frequentemente dificuldades no acesso a serviços essenciais, terras agrícolas e oportunidades de subsistência.
Suporte à Saúde e Nutrição
Em paralelo, o PAM deu suporte aos serviços nacionais de saúde e nutrição, entregando 119 toneladas de alimentos nutritivos especializados a 112 unidades sanitárias em Cabo Delgado. Estes alimentos são destinados ao tratamento de desnutrição aguda moderada em crianças menores de cinco anos, mulheres grávidas e lactantes.
A agência das Nações Unidas adverte que Moçambique enfrenta uma crise humanitária complexa, causada pela conjunção de choques climáticos, conflito armado e vulnerabilidades socioeconômicas duradouras. As inundações e longos períodos de seca durante a campanha agrícola de 2025/26 impactaram mais de 518.000 hectares de terras cultivadas, sendo que mais de 312.000 hectares foram destruídos. Essa situação resultou na diminuição da produção agrícola, nos rendimentos familiares e nas reservas alimentares em diversas regiões do país.
Assistência em Outras Regiões
O relatório também menciona que o PAM auxiliou os sistemas nacionais de saúde para lidar com inundações e secas nas cidades e províncias de Maputo, Gaza, Sofala e Inhambane. Esse suporte incluiu o fornecimento de material nutricional, triagem e tratamento de má nutrição, além de apoio aos profissionais de saúde na linha de frente, garantindo a continuidade dos serviços vitais para grupos vulneráveis atingidos pelos choques.
Preocupações Econômicas e Necessidade de Financiamento
O PAM alerta que o aumento dos custos de transporte e dos preços dos alimentos está intensificando a vulnerabilidade das famílias mais pobres, especialmente mulheres, crianças e populações deslocadas, que dependem do apoio humanitário para suprir suas necessidades básicas.
Para manter as operações, a organização estima a necessidade de 129,3 milhões de dólares (113 milhões de euros) entre maio e outubro de 2026. Caso não haja financiamento adicional, o PAM prevê que o nível atual de assistência só poderá ser mantido até dezembro, com novos cortes previstos a partir de janeiro de 2027.
Violência e Monitoramento de Conflitos
A organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) registrou 11 incidentes violentos nas duas primeiras semanas de junho em Cabo Delgado. Todos esses eventos envolveram extremistas do Estado Islâmico e causaram oito mortes, elevando o total de óbitos desde 2017 para 6.632.

