Nos EUA, observa-se uma tendência crescente de substituição das bebidas alcoólicas tradicionais por bebidas não alcoólicas que contêm tetraidrocanabinol (THC). Durante os churrascos do Dia da Independência, os americanos escolheram mais latas de cannabis em vez de cerveja.
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Nova Tendência Social
Anteriormente, a cannabis estava associada nos Estados Unidos aos hippies e fumantes. No entanto, agora, antes que a lei federal restrinja essa tendência no final deste ano, muitos americanos estão obtendo um efeito mais aceitável socialmente durante o jantar ou na varanda, consumindo bebidas enriquecidas com THC, vendidas em supermercados comuns.
Exemplos de Uso
Por exemplo, Cecilia Pfaff, proprietária de um pequeno negócio, que recebia amigos em sua casa costeira na Carolina do Norte, expôs diversos tipos de bebidas no balcão da cozinha: cerveja, vinho, mimosa, além de uma grande garrafa de Willie's Remedy+, rotulada como 'Derivado do cânhamo... Alta dose. Tônico social'. Esta garrafa não continha álcool, mas possuía 170 mg de THC, o que corresponde a 10 mg por porção, sendo um componente químico responsável pelo efeito intoxicante da maconha.
Pfaff observou que 'praticamente todos que conheço — todos profissionais — consomem produtos à base de THC de alguma forma'. Outro profissional, o comerciante farmacêutico Pat Clawerty, serviu-se de um pouco dessa bebida turva comprada em um supermercado local. Ele relatou que esta bebida substituiu uma parte significativa do que eles bebiam à noite; antes era vinho tinto ou cerveja, mas agora eles simplesmente servem algumas dessas bebidas. Clawerty também acrescentou que sente menos ressaca.
Dados de Mercado e Crescimento
De acordo com uma pesquisa da Gallup em 2025, apenas 54% dos americanos consomem álcool, o que é o nível mais baixo desde o início das pesquisas em 1939. Em contrapartida, a empresa de pesquisa Euromonitor relata um crescimento explosivo nas vendas de bebidas com cannabis, à medida que os produtos migram de lojas de nicho para pontos de venda principais.
Trent Murring fundou a marca de bebidas com THC Kaya em Kingston, cidade vizinha, em 2024, desenvolvendo seu negócio bem-sucedido de produção de cerveja artesanal e gaseificadores alcoólicos. Murring informou à AFP que as vendas triplicaram no último ano, impulsionadas pelo acordo de uma grande rede de supermercados para comercializar o produto.
Peter Hamilton, da Euromonitor, disse à AFP que a avaliação da empresa mostra que o volume do setor crescerá de US$ 238 milhões em 2023 para cerca de US$ 720 milhões em 2025, e até 2026, deve ultrapassar US$ 1 bilhão em vendas no varejo, caso o Congresso não anule a legalização.
Status Legal e Restrições
A maconha recreativa permanece uma droga ilegal de acordo com a legislação federal, mesmo que seja legalizada em vários estados individuais. No entanto, os produtos derivados do cânhamo — a planta da cannabis, mas com menor teor de THC — foram em grande parte legais em nível federal após a mudança na lei em 2018. Críticos argumentam que essa alteração no Congresso visava estimular o mercado de têxteis não alcoólicos e produtos de cânhamo. Em vez disso, abriu caminho para produtos inovadores destinados a proporcionar euforia através da concentração ou extração de THC do cânhamo em bebidas fortes, doces, vapes e outras formas.
No final de 2025, o Congresso, controlado pelos republicanos, alterou novamente a lei, estabelecendo que, a partir de 12 de novembro de 2026, o recipiente não deve conter mais de 0,4 mg de THC, um valor significativamente inferior aos 5 mg e 10 mg presentes em muitos produtos populares. Murring alertou que isso 'mataria a indústria de bebidas com THC'. Grupos industriais, incluindo a National Restaurant Association e a Wine & Spirits Wholesalers of America, estão pressionando o Congresso para mudar a lei. Murring defendeu a manutenção da legalidade dos produtos com THC, mas com sua inclusão em regulamentações semelhantes às regras para álcool, afirmando que 'eles precisam pensar em algo'.