No Uzbequistão, está sendo considerada a aplicação de ferramentas de inteligência artificial, sistemas de análise de risco e rankings de integridade para identificar antecipadamente participantes problemáticos em compras governamentais e garantir concorrência justa entre as empresas.
Problemas do sistema de compras atual
Na primeira reunião do Conselho da Associação de Participantes de Compras Governamentais, empreendedores, especialistas e representantes do setor público discutiram várias deficiências sérias no sistema vigente. O principal problema, na opinião dos participantes do mercado, é a lenta reação aos relatórios sobre potenciais violações.
As empresas enfrentam situações em que, após a declaração do vencedor de uma licitação, ocorrem cancelamentos de resultados, revisão de decisões tomadas ou criação de condições que tornam praticamente impossível o cumprimento do contrato assinado. Os pedidos a vários órgãos governamentais, incluindo estruturas de combate à corrupção, muitas vezes não resultam em investigações adequadas ou na emissão de decisões concretas.
Os participantes da discussão observaram que, apesar de fornecerem documentos e explicações, os empresários frequentemente recebem apenas recomendações para encaminhar materiais a outros departamentos ou aconselhamento para resolver a questão através de instâncias judiciais. Essa prática mina a confiança no sistema de compras governamentais e cria uma sensação de impunidade para os atores desonestos, visto que a responsabilidade recai principalmente sobre os fornecedores, enquanto as ações dos contratantes permanecem fora da avaliação pública.
Abordagem sistêmica e rankings
Como uma das soluções propostas, os participantes da reunião sugeriram passar da reação a reclamações individuais para uma análise abrangente do comportamento de todas as pessoas envolvidas no processo de compras. Isso inclui a criação de rankings de integridade tanto para fornecedores quanto para os próprios contratantes governamentais.
Este sistema poderia levar em conta o histórico de interação das organizações nas compras, incluindo o número de acordos rescindidos, contratos cancelados, litígios judiciais e outros pontos controversos. Se um fornecedor violar sistematicamente os termos ou fornecer informações falsas, esses fatos são registrados em seu perfil, o que afeta seu direito de participar de futuras licitações. Um registro semelhante, segundo o mercado, deve ser aplicado também aos contratantes, considerando casos de cancelamento regular de compras ou alteração de condições após a conclusão do negócio.
O papel da inteligência artificial
Bakhtiyar Abdullaev, diretor da consultoria Inter Investment Consulting, apresentou uma iniciativa para integrar a inteligência artificial ao processo de verificação prévia de participantes. Ele apontou que, nas plataformas de negociação eletrônica, muitas vezes vencem empresas que não possuem a experiência, os recursos ou o produto necessário para cumprir as obrigações, e depois da vitória, começam a procurar maneiras de resolver o problema.
Abdullaev acredita que algoritmos de IA podem ser usados diretamente nas plataformas eletrônicas para analisar automaticamente a conformidade dos participantes com os requisitos definidos, como experiência no cumprimento de contratos semelhantes, posse real de produtos ou capacidade de produção. Isso permitiria excluir do processo empresas que não estão preparadas para cumprir o contrato, reduzindo assim o número de problemas para os contratantes.
Análise de casos práticos
Foram examinados exemplos específicos na reunião, demonstrando lacunas no sistema atual. No primeiro caso, a empresa Art Mebel Style venceu uma licitação para fornecer móveis à Administração Presidencial no valor de 50 milhões de soums. Após a assinatura do contrato, o contratante notificou a empresa sobre o cancelamento do contrato, fechou o financiamento, e o mesmo lote foi novamente leiloado com a vitória de outra empresa.
Um advogado que analisou este caso enfatizou que, após a assinatura do contrato, as partes adquirem um status legal, e as disputas devem ser resolvidas na justiça; no entanto, na prática, o contratante frequentemente simplesmente notifica o fornecedor sobre o cancelamento. De acordo com os dados que serão coletados, a agência apresentará propostas para endurecer a responsabilidade dos contratantes por cancelamentos injustificados.
No segundo caso, foi apresentado um exemplo de esquema organizado, onde duas empresas pertencentes a irmãos receberam 150 contratos em uma grande empresa ao longo de um ano. Um representante da empresa relatou que seus pedidos ao Comitê de Combate à Corrupção foram repetidamente redirecionados. Segundo a avaliação da agência, na maioria dessas situações, o contratante desempenha um papel fundamental, conduzindo formalmente o concurso, mas definindo antecipadamente o parceiro.
O terceiro mecanismo dizia respeito à indicação de uma marca específica pelo contratante na compra de equipamentos. Embora isso seja permitido quando há necessidade técnica, os participantes do mercado afirmam que, na maioria das vezes, a marca é indicada devido às conexões do contratante com um fornecedor específico. Isso exclui do processo negócios honestos que produzem produtos análogos, levando a sobrepreços e à supressão da concorrência.
Medidas propostas e conclusões
Como medidas, foi discutido o reforço do controle sobre a aceitação de bens e recusas de contratos: a decisão de recusar a aceitação deve ser tomada por uma comissão de três ou mais pessoas. Também se propõe registrar violações nos perfis dos participantes, o que pode levar à inclusão de fornecedores desonestos em uma lista negra. Informações sobre riscos de corrupção devem ser transmitidas às autoridades policiais.
Outra proposta é tornar visíveis na plataforma todos os cancelamentos de contratos, para que outros participantes e órgãos de fiscalização possam rastrear padrões semelhantes. Foi discutida também a possibilidade de resolução de disputas pré-processuais por meio de comissões especiais nos operadores das plataformas de compras, o que poderia acelerar o processo. Uma opção radical é a terceirização de grandes compras para organizações especializadas.
Representantes da agência informaram que todas as propostas do setor empresarial serão estudadas e podem ser consideradas no desenvolvimento futuro da legislação e dos mecanismos digitais de compras governamentais. Anteriormente, especialistas pediram aos funcionários públicos que considerassem as opiniões do setor empresarial na reforma das compras governamentais.