De acordo com o mais recente relatório sobre a «Migração ao Longo da Rota da África Oriental e Austral», consultado pela Lusa, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) registou uma queda de 16% nos fluxos migratórios de Moçambique com destino à África do Sul em 2025.
Dados de Monitoramento de Fluxos
Em 2025, foram monitorizados pelo menos 33.700 movimentos vindos de Moçambique para a África do Sul, em comparação com os 40.000 fluxos observados em 2024. O documento aponta que mais da metade desses deslocamentos eram realizados por homens (56%), e 3% correspondiam a crianças.
Origem e Distribuição dos Migrantes
A agência da ONU detalha que os fluxos migratórios registrados em Moçambique em direção à África do Sul estavam divididos entre cidadãos nacionais (46%) e cidadãos do Maláui (47%). Além disso, a OIM identificou pequenas movimentações de migrantes originários do Bangladesh, Paquistão e Etiópia, que transitavam por Moçambique até a África do Sul.
Motivações da Migração
A OIM esclarece que os principais impulsionadores da migração eram os deslocamentos locais de curta duração, que incluíam viagens temporárias por razões pessoais ou comerciais, representando 86% dos casos. Adicionalmente, três quartos (73%) dos viajantes moviam-se por motivos econômicos, englobando busca por emprego, trabalho, pobreza, dívidas ou carência de oportunidades de subsistência. Cerca de 40% dos fluxos tinham motivação familiar, enquanto apenas 1% era atribuído a desastres naturais.
Movimentos de Entrada em Moçambique
Outro dado relevante é que Moçambique registou pelo menos 24.300 movimentos migratórios de entrada em 2025, sendo a maioria composta por homens (68%). Estes fluxos provinham majoritariamente do Maláui (46%) e da própria África do Sul (42%), estando ligados primariamente a realocações temporárias, reunificação familiar e migração sazonal.
Composição dos Fluxos Internacionais
O relatório indica que 54% dos fluxos rastreados com destino ao país eram de cidadãos moçambicanos, seguidos por 28% do Maláui e 16% da África do Sul. As percentagens de cidadãos zambianos e zimbabuenses foram significativamente menores, ambas em apenas 1%.
Desafios e Respostas Institucionais
A OIM ressalta que um desafio significativo no percurso migratório para Moçambique é a deportação de migrantes sem documentação válida, especialmente jovens adultos que retornavam da África do Sul, o que aumenta a exposição a riscos de proteção na chegada. As deportações contínuas na fronteira África do Sul-Moçambique resultaram no retorno de migrantes que chegavam a Ressano Garcia sem meios para prosseguir a viagem, gerando casos de retenção que necessitavam de assistência básica, como abrigo e alimentação.
Ações de Cooperação
Em resposta a esta situação, a agência da ONU promoveu, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Governo de Moçambique, a reunião familiar de 163 crianças moçambicanas desacompanhadas que se encontravam no Zimbabué.
Estatísticas Recentes de Migração
Em 19 de junho, o Serviço Nacional de Migração (Senami) informou que o movimento migratório em Moçambique havia aumentado 18% nos cinco meses do ano, atingindo mais de 2,4 milhões de viajantes, e o número de repatriados cresceu 53,4%, totalizando 698. O Governo moçambicano entrevistou mais de 144 mil cidadãos estrangeiros nos primeiros cinco meses do ano, efetuando a deportação de pelo menos 698 pessoas, um aumento de 53,4% em relação aos 455 deportados no mesmo período do ano anterior.

