Uma nova variedade de aranha foi descoberta nas florestas tropicais do Equador, chamando a atenção da comunidade científica devido à sua capacidade de imitar a aparência de um fungo parasita que afeta e mata outros artrópodes. Esta espécie, denominada Taczanowskia waska, é a primeira conhecida a utilizar este método de mimetismo.
Os pesquisadores descreveram esta descoberta em um artigo publicado na revista Zootaxa, após análises que confirmaram tratar-se de uma espécie anteriormente não registrada. De acordo com os autores, a estratégia de camuflagem ajuda a aranha tanto a evitar predadores quanto a se aproximar da presa sem ser notada.
Este caso também destaca a importância das observações feitas por cidadãos comuns e das coleções científicas. Inicialmente, a pesquisa foi iniciada por um registro na plataforma iNaturalist e depois complementada com a comparação de amostras conservadas em museus.
O organismo reproduzido por esta espécie é conhecido por transformar aranhas infectadas em verdadeiros 'zumbis'. Após penetrar no hospedeiro, o fungo altera seu comportamento, forçando-o a permanecer em uma posição vantajosa para dispersar esporos antes da morte, concluindo o ciclo do parasita.
O primeiro encontro com a aranha ocorreu quando ela estava imóvel na parte inferior de uma folha. Sua semelhança externa com um artrópode morto afetado por fungo era tão convincente que os pesquisadores inicialmente pensaram estar diante de um espécime infectado. Somente ao tocar perceberam que o animal estava vivo.
Os autores do estudo explicam que a cor clara do abdômen, combinada com pequenas protuberâncias esbranquiçadas e duas estruturas amareladas alongadas, reproduz com precisão os elementos característicos do fungo do gênero Gibellula. Os cientistas observaram: 'A cor pálida do abdômen com pequenas protuberâncias brancas imita perfeitamente o micélio do fungo. As duas estruturas semelhantes a estroma lembram as formações de Gibellula'. Estas características tornam a camuflagem extremamente plausível.
Além da aparência, a postura adotada pela espécie intensifica a camuflagem. Como descrevem os pesquisadores, a posição imóvel e o estado suspenso sob a folha ajudam a recriar a imagem típica de uma aranha morta após infecção por fungo parasita.
O organismo imitado pertence ao gênero Gibellula, um grupo de fungos especializados em infectar aranhas. Após a penetração pelo micélio, o parasita consome lentamente os tecidos do hospedeiro e, no final do processo, forma estruturas responsáveis pela disseminação dos esporos. Os cientistas sugerem que a Taczanowskia waska reproduz exatamente esta fase final da infecção. A hipótese dos autores é que essa semelhança reduz o risco de ataque de predadores e, simultaneamente, facilita a aproximação da possível presa.
A existência desta espécie veio ao conhecimento dos pesquisadores após a publicação no aplicativo de registro de biodiversidade iNaturalist. Em seguida, a equipe encontrou um espécime na natureza e realizou comparações com materiais armazenados em coleções científicas. Durante esta etapa, foi encontrado um espécime guardado no Museu de História Natural de Hamburgo, na Alemanha, coletado na Bolívia em 1903. A comparação confirmou que se trata de uma espécie distinta.
Nadin Duperre, pesquisadora do Museu de História Natural de Hamburgo, afirmou que descobertas como esta demonstram o valor das coleções científicas, pois permitem classificar novas espécies e compará-las com amostras históricas. Os pesquisadores também indicaram que registros adicionais no iNaturalist sugerem a existência de pelo menos outras quatro aranhas que imitam infecções fúngicas, das quais duas podem representar espécies ainda desconhecidas pela ciência.