O Tesouro Nacional suspendeu temporariamente o pagamento de transferências municipais para julho de 2026 a mais de 60 estruturas de autogoverno local, incluindo Joanesburgo. Esta decisão foi tomada porque essas estruturas não conseguiram resolver seus problemas financeiros a tempo.
Motivos da suspensão do financiamento
O Tesouro Nacional anunciou a retenção temporária das transferências devido ao 'incumprimento persistente e grave' da Lei de Gestão de Finanças Municipais (MFMA) e disposições relacionadas, apesar do apoio fornecido pelo Tesouro através de consultas, interação e comunicação.
Escala dos problemas financeiros
O anúncio da suspensão das transferências afetou muitos municípios sul-africanos e revelou uma má gestão financeira em grande escala. Os municípios sofreram perdas de 24,12 bilhões de despesas iniciais e desperdiçadas desde 2021-22. Além disso, os gastos irregulares atingiram 145,21 bilhões, sendo que apenas no ano fiscal de 2024-25 foram de 40,14 bilhões.
Outros indicadores financeiros
Desde 2021-22, os municípios divulgaram 118,13 bilhões em despesas não autorizadas, das quais 63,43 bilhões pertencem a itens orçamentários não relacionados a fundos. Em 2024-25, 116 municípios (45 por cento) adotaram orçamentos não pagos, um número superior aos 113 (44 por cento) no orçamento ajustado do ano anterior.
Problemas com dívidas e relatórios
Até o final de 2024-25, os municípios deviam 3,40 bilhões de juros à empresa Eskom e 1,21 bilhão de juros aos conselhos de água. Além disso, 48 municípios (20 por cento) tinham pagamentos a terceiros atrasados em mais de um mês. O Tesouro Nacional observou que muitos municípios não processavam casos de despesas não identificadas, irregulares, infrutíferas e desperdiçadas (UIFWE) através de seus Comitês de Contas Públicas (MPACs).
Consequências do não cumprimento da lei
O Tesouro afirmou que o não cumprimento da legislação financeira não é apenas um descumprimento dos deveres fiduciários da liderança política e administrativa dos municípios, mas também ameaça a estabilidade financeira de provedores essenciais de serviços, como os conselhos de água e a Eskom. O não pagamento a terceiros afeta negativamente a capacidade dos órgãos governamentais de funcionar de forma ótima.
Requisitos para retomada dos pagamentos
As transferências serão retomadas após os municípios afetados cumprirem as condições necessárias e fornecerem a devida comprovação de seu cumprimento. O Tesouro espera que a suspensão seja breve para não afetar a prestação de serviços. Foi enfatizado que os municípios receberam notificação escrita suficiente solicitando medidas para alterar sua situação financeira antes do congelamento dos fundos.
Opinião de especialistas sobre a gestão local
O Professor Joseph Sekhampu, diretor principal da Escola de Negócios da NWU, observou em uma declaração recente que o relatório consolidado da Auditoria Geral de 2024-25 mostrou que nenhum dos municípios capitais recebeu uma auditoria limpa. Cinco metrópoles têm parecer de auditoria qualificado, em comparação com dois no início do sexto mandato.
De acordo com o Professor Sekhampu, as perdas totais de água em oito municípios capitais somaram quase 10 bilhões, as perdas de eletricidade ultrapassaram 17 bilhões, e o período médio de pagamento a credores atingiu 121 dias. Ele sugeriu que a explicação dominante para os problemas de autogoverno na África do Sul sempre foi que muitos municípios são muito pequenos, pobres e administrativamente frágeis para operar de forma eficaz. No entanto, segundo o professor, os resultados em relação às metrópoles apontam para outro problema de gestão: os municípios capitais não são limitados primariamente pela falta de recursos, pois juntos gerenciam 336 bilhões, o que representa cerca de 54% das despesas de autogoverno, e atendem a quase 25 milhões de pessoas, possuindo o potencial institucional e financeiro esperado de grandes governos urbanos, mas continuam enfrentando graves falhas de gestão.


