Refugiados em Durban são forçados a viver nas ruas, buscando proteção e abrigo em circunstâncias extremamente difíceis. Por quase dois meses, eles estiveram nas calçadas perto do Centro de Recepção de Refugiados do Departamento de Assuntos Internos, no endereço Che Guevara (Moor) Road, aglomerados para resistir ao frio e à ameaça de violência.
Origem e Condições de Vida
Essas pessoas vieram de vários países, incluindo a República Democrática do Congo (RDC), Burundi, Gana, Sudão, Tanzânia e Uganda; alguns cidadãos de Malawi posteriormente deixaram o local. Os refugiados tentaram obter proteção, mas foram expulsos pela polícia de Durban sob fogo de balas de borracha e não receberam ajuda por dois dias no Centro Diocesano. Depois disso, foram levados ao Departamento de Assuntos Internos, onde a verificação mostrou que apenas dois dos 457 indivíduos estavam sem documentos.
Histórias de Refugiados
Princesa Adjei, de 33 anos, originária de Gana, veio para a África do Sul quando bebê e cresceu aqui. Ela relatou que foram atacados tanto em casa quanto nos locais de trabalho. Adjei informou que a maior parte de sua família partiu, deixando-a com seu filho. Sua avó, que vivia na África do Sul, voltou para casa, mas faleceu após assistir aos acontecimentos na televisão.
Adjei perdeu todos os seus bens no salão de beleza que possuía na Área de Trabalho, depois que um grupo de pessoas cometeu um assalto, o que levou ao fechamento do negócio. Atualmente, ela está desempregada há dois meses. Ela também mencionou que, depois que o prefeito do município de Ethekwini, Cyril Shaba, aconselhou-os a retornar às suas comunidades, eles voltaram, mas foram atacados novamente, forçando-os a voltar para as ruas.
A vida nas ruas provou ser difícil e insegura, pois havia crianças, mulheres grávidas e idosas entre eles. Adjei observou que as pessoas adoecem diariamente, mas não podem procurar hospitais porque lhes negam atendimento, e as crianças não frequentam a escola devido à recusa de matrícula.
Dificuldades de Integração
Ela explicou que muitos vieram para a África do Sul devido a guerras em seus países, sendo refugiados. Ao chegarem, recebiam documentos que permitiam permanecer no país. As crianças entre os refugiados enfrentam problemas diários, como doenças e falta de acesso à educação. Adjei enfatizou que todos estão desempregados e, como não têm moradia, não podem pagar aluguel, sendo forçados a dormir juntos na rua. Ela acrescentou que o número dessas pessoas está em constante crescimento. Mesmo à noite, na chuva, eles dormem, apertados uns contra os outros.
Adjei mencionou que um grupo tentou atacá-los em 30 de junho, mas a segurança privada e a polícia ajudaram a protegê-los, bloqueando o acesso. Leanne Sefu, de 25 anos, da RDC, veio para a África do Sul aos três anos de idade. Há dois meses, seu senhorio a expulsou ela e sua filha de dois anos da Praia Sul. Sefu declarou que a vida nas ruas é difícil devido a doenças constantes, como gripe forte por dormir no frio.
Ela também relatou que, apesar de ter documentos que permitem trabalhar e estudar, ela não consegue encontrar emprego em empresas sul-africanas porque é considerada estrangeira. Sefu observou que até mesmo na comunidade lhe dizem que eles não são necessários e são expulsos de todos os lugares.
Apelos à Ação
Refugiados de várias nações africanas se unem na luta por segurança e um futuro melhor. Bishop Raphael, um dos líderes, expressou perplexidade sobre como o governo está lidando com o problema dos migrantes e refugiados. Ele afirmou que eles são refugiados que vieram para cá em busca de segurança, pois seus países não lhes proporcionaram proteção. Raphael observou que o governo deve agir em conjunto com o ACNUR, visto que os refugiados estão sob a égide da Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados, e atualmente as pessoas não confiam no governo sul-africano, confiando apenas no ACNUR.
Raphael informou que inicialmente eram cerca de 630 pessoas, mas o número diminuiu para cerca de 183. No entanto, a partir de 28 de junho, as pessoas começaram a se reunir de todos os cantos (Bizanha, Emanzimtoti, Costa Norte, Costa Sul) em busca de segurança.


