Analistas apoiam a legalização de associações LGBT em Moçambique, destacando o alto nível de preconceito na população, incluindo círculos cristãos da sociedade. O analista João Feijo, pesquisador do Centro de Observação Rural (OMR), afirmou que existe um forte preconceito contra esta comunidade e que a comunidade cristã em Moçambique ainda está em estágios iniciais, demonstrando forte aversão a essas pessoas, apesar de o Papa antigo ter abençoado os homossexuais.
Atividade da Sociedade Civil
A organização não governamental Maningue Diversidade planeia realizar a primeira corrida 'Pride' em Maputo este mês. O evento visa combater a invisibilidade histórica das experiências das pessoas LGBTQIA+ — incluindo lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, queer, intersexo e assexuais — sob o lema 'Nós existimos', e ocorrerá de 11 a 18 de julho.
Crítica ao Preconceito e à Inação Governamental
Feijo critica que os preconceitos contra estas minorias estão enraizados em pessoas que sofreram discriminação racial por motivos semelhantes há muito tempo, o que ele chama de 'grande injustiça'. Ele observou que a comunidade LGBT em Moçambique enfrenta uma enorme pressão. Até a Lambda, uma organização que defende o reconhecimento dos direitos LGBTIA+, não consegue ser legalizada porque o processo está estagnado e o Estado não reage. Ele descreveu o comportamento dos decisores como triste, movido por preconceitos mesquinhos.
O pesquisador acredita que seria vantajoso politicamente para os líderes criminalizar a existência destes grupos sexuais, mesmo que já estejam organizados em associações, ainda que informais. Isso aponta para uma desaprovação social deste grupo, frequentemente associado à pedofilia, embora ele reconheça que o país não é o pior do continente em relação a estas comunidades.
Apelos a Mudanças Legislativas
O jornalista Fernando Lima insiste que o poder executivo deve promover a legalização das associações, argumentando que estas minorias são compostas por 'verdadeiros moçambicanos' e, portanto, quaisquer estereótipos devem ser abandonados. Lima considera que o Governo de Moçambique tem adiado esta questão durante anos e, como Estado de direito agindo dentro da Constituição que reconhece todos os moçambicanos, deve reconhecer também as suas minorias, em particular as sexuais. Ele questionou o argumento do governo sobre a questão cultural, perguntando como se explica então a existência de tais pessoas.
Ele também apontou que Moçambique foi criticado por órgãos das Nações Unidas relacionados com os direitos humanos precisamente devido à recusa em aceitar a legalização da associação Lambda. Doadores manifestaram discordância com o país, considerando que ele não respeita totalmente os direitos humanos e os direitos desta comunidade. Lima concluiu que um diálogo sério deve ocorrer no novo ciclo político para aceitar a existência legal de uma associação representativa desta minoria sexual.
Posição do Sociólogo
Por sua vez, o analista e sociólogo Jaibo Mukufu lembrou que, do ponto de vista jurídico, nada impede a existência destas relações, mas apelou para a redução da pressão sobre a legalização das associações. Ele sugeriu que o movimento deve continuar a sua atividade sem exercer pressão excessiva pela legalização, visto que a própria Constituição reconhece e protege esse direito, e ele não conhece casos de extrema crueldade contra estas pessoas. Mukufu acredita que nas próximas cinquenta anos não haverá abertura para a legalização devido à base islâmico-cristã da sociedade moçambicana e porque o Estado é baseado no princípio do direito canónico romano.

