A corretora global Jefferies prevê que a próxima Oferta Pública Inicial (IPO) da Bolsa Nacional Indiana (NSE) será o último elemento na tríade de bolsas da Índia, à medida que a maior bolsa do país se prepara para sua aguardada entrada no mercado de ações.
Formação da Tríade de Bolsas
Após o listamento da NSE, ela se juntará à Bombay Stock Exchange (BSE) e à Multi Commodity Exchange of India (MCX), que já são negociadas publicamente. Assim, os três principais operadores de bolsas estarão presentes na Dalal Street. A NSE planeja realizar uma IPO avaliada em cerca de 30.000 crores de rúpias em setembro. Em caso de sucesso, este lançamento valorizará a maior bolsa do país em mais de 5 trilhões de rúpias, permitindo-lhe superar a IPO da Hyundai Motor India, lançada em outubro de 2024, tornando-se a maior oferta pública na história do país.
Crescimento do Mercado de Opções na Índia
De acordo com a Jefferies, o mercado indiano de opções de ações demonstra um crescimento impressionante na Taxa Composta de Crescimento Anual (CAGR) de 56% durante o período fiscal de 20-26, significativamente superior ao indicador de 19% para o volume do mercado monetário. No ano fiscal de 26, o volume médio diário de prêmios de opções representou cerca de 70% do volume diário do mercado monetário. Consequentemente, os instrumentos derivativos forneceram cerca de 70% das receitas operacionais das bolsas indianas.
Segundo Supratim Datta, Prahar Sharma e Satvik Kanabar da Jefferies, isso levou a uma desconexão entre as receitas das bolsas e os ciclos de atividade de mercado, visto que o comércio de opções está intimamente ligado à volatilidade, e não ao movimento dos preços. A Jefferies também observou que, embora a Índia negocie mais contratos de opções do que o mercado dos EUA, as taxas de prêmio das opções na Índia correspondem apenas a um quinto das americanas.
Domínio da NSE no Mercado
A NSE, fundada em 1993, gera cerca de 70% das receitas das bolsas indianas, segundo informações da Jefferies. Além disso, a bolsa parece ser a mais diversificada entre seus concorrentes, oferecendo serviços em ações ao vivo, opções de índice, opções de ações individuais, futuros de ações, futuros e opções de commodities, títulos e derivativos cambiais. Na maioria das categorias, exceto opções de índice e Futuros e Opções de Commodities (F&O), a NSE detém mais de 90% do mercado.
A corporação de liquidação da NSE, NSE Clearing Ltd (NCL), controla 88% da participação de mercado no segmento de operações ao vivo e 91% no segmento F&O. A bolsa também fornece um conjunto de serviços tecnológicos e de informação que geraram 13% da receita no ano fiscal de 26, e está expandindo sua presença no setor de F&O de commodities.
Impacto dos Custos Regulatórios no Lucro
A Jefferies afirma que a NSE permanece mais lucrativa que a BSE devido ao negócio mais forte em opções de ações. Excluindo os custos únicos de liquidação da Securities and Exchange Board of India (Sebi), a margem EBITDA normalizada da NSE permaneceu estável em 76-77% durante o período fiscal de 24-26. O relatório da Jefferies indica: «A maior participação de mercado de liquidação da NSE e o prêmio sobre o volume nominal em opções de ações levaram a uma maior lucratividade em comparação com a BSE. No entanto, as reservas relacionadas ao caso de colocation e fibra escura (no AF 26: 1.390 crores de rúpias) e o pagamento de 670 crores de rúpias sobre a questão TAP no AF 25 afetaram o EBITDA operacional da NSE nos AF 25 e AF 26. Considerando o caráter único das taxas da Sebi, se excluídas, a margem EBITDA operacional normalizada (76-77%) da NSE foi amplamente estável no período de AF 24 a AF 26».
Balanço Sólido e Altos Dividendos
De acordo com a corretora, no ano fiscal de 26, os ativos da NSE totalizaram 28.800 crores de rúpias, incluindo títulos do governo e fundos mútuos. A NSE provisionou fundos para possíveis ações da Sebi, enquanto os passivos contingentes (no AF 26: 1.050 crores de rúpias) estão principalmente relacionados a disputas de imposto de renda e serviço. A Jefferies acrescentou: «A combinação de fortes fluxos de caixa operacionais com baixos gastos de capital (3-3,5% da receita) permitiu à NSE distribuir 74% e 85% dos lucros como dividendos nos AF 25 e AF 26, respectivamente».
Riscos e Litígios
A Jefferies alertou os investidores sobre os problemas regulatórios e litígios enfrentados pela maior bolsa do país. A corretora informou que a NSE enfrentou medidas regulatórias relativas ao acesso às suas instalações de colocation e servidores, e a empresa está em processo de resolução dessas questões com a Sebi. Além disso, foram movidos 20 processos civis e nove criminais contra a NSE. A Jefferies também observou que as restrições às opções de índice semanais e o aumento das contribuições mínimas para o Fundo de Garantia do Segmento Principal de Derivativos de Ações (SGF) afetaram negativamente a NSE durante os AF 25-AF 26.
Possível Melhoria da Solvência das Seguradoras
O documento de Oferta Pública de Venda (OFS) da NSE indicou que seguradoras estatais gerais pretendem vender 1,1% de sua participação. A corretora espera que este OFS aumente a solvência das seguradoras estatais gerais. A Jefferies comentou: «Observamos que três dos quatro grandes seguradores gerais (Oriental, National e United) têm solvência abaixo do limiar regulatório em 1,5 vezes. O OFS pode aumentar o capital disponível de solvência dessas seguradoras».