As operadoras de telecomunicações em Moçambique estão a solicitar soluções inovadoras e a estabilidade de preços para enfrentar desafios de acessibilidade e garantir a sustentabilidade dos negócios.
Declarações da Vodacom
Simon Katikari, diretor-executivo da Vodacom, empresa privada de telefonia móvel em Moçambique, sublinhou que, apesar do desafio de acessibilidade, é imperativo encontrar soluções inovadoras. Ele afirmou que a implementação dessas soluções depende de um ambiente de preços estáveis que permita o investimento.
Katikari fez estas declarações durante a Quinta Conferência Nacional das Comunicações, realizada em Maputo, na quinta-feira, onde participou no quinto painel focado em «Tarifas dos Serviços de Comunicações e Dinâmica Concorrencial no Mercado». O representante destacou que os preços elevados representam um obstáculo significativo à sustentabilidade das empresas do setor, especialmente as de telefonia móvel, pedindo ao regulador que intervenha para equilibrar a acessibilidade com a necessidade de investimento.
Necessidades de Mercado e Infraestrutura
O diretor-executivo enfatizou a importância de uma estrutura e disciplina de preços que suportem um investimento duradouro, ressaltando o papel do regulador como árbitro para organizar o mercado e torná-lo atrativo para investidores. Katikari mencionou também que as autoridades aprovaram recentemente a partilha de infraestruturas e serviços de 'roaming' entre as empresas, um avanço que ele considera crucial expandir de forma mais comercial para diminuir custos e elevar a qualidade dos serviços.
Ele alertou que, dado que os equipamentos utilizados pelas companhias são integralmente importados de diversas partes do globo, manter a disponibilidade dos serviços no país torna-se insustentável. Segundo Katikari, quando os custos superam as receitas ou os produtos são vendidos a preços muito baixos por longos períodos, a qualidade da rede degrada-se, o investimento futuro em conectividade diminui e, consequentemente, o serviço piora, podendo levar ao encerramento das operações devido a estes problemas, agravados pela crise de combustíveis.
Propostas de Outras Empresas
Por sua vez, Muhammed Mussa, presidente do Conselho Executivo da estatal TMCEL, apelou à criação de condições que assegurem a redução dos preços dos serviços de comunicação, alinhando as políticas de mercado grossista com a realidade nacional. Mussa observou que os serviços de rede em 'roaming', iniciados em maio de 2026, estão a contribuir para a expansão da cobertura nacional, mas defendeu a necessidade de potenciar este aspeto, juntamente com o reforço da previsibilidade regulatória e a implementação de políticas de inclusão digital sustentável e inovação.
Francisco Chate, administrador da empresa privada Movitel, sugeriu a criação de uma política tarifária destinada a garantir o retorno financeiro às operadoras diante dos desafios atuais. Além disso, propôs a diminuição das taxas de importação para promover o equilíbrio e facilitar o acesso aos serviços em áreas rurais. Chate especificou que daria prioridade às zonas remotas, defendendo a redução das taxas num prazo mais curto para permitir a recuperação do investimento a médio prazo, bem como a redução das taxas de proteção no setor de comunicações.