Um novo estágio de reforma do sistema de compras governamentais está sendo preparado no Uzbequistão, cujo objetivo é fortalecer o envolvimento dos produtores locais, diminuir a dependência de importações e tornar o processo mais transparente para a comunidade empresarial.
Situação atual e problemas das compras
Na primeira reunião do Conselho da Associação de Participantes das Compras Governamentais, as autoridades apresentaram uma análise da situação atual e delinearam planos para a futura modernização do sistema. Jakhongir Yunusov, vice-diretor da Agência de Cooperação Industrial e Compras Governamentais, informou que o volume total de compras governamentais atingiu 70 trilhões de soms no ano anterior. No entanto, apesar disso, grande parte desses fundos continua sendo destinada a produtos importados, e a contribuição dos produtores nacionais permanece insuficiente.
Yunusov observou que existem empresas no país com sérias capacidades de produção e altos volumes de negócios que poderiam participar das compras governamentais, mas ainda não estão devidamente representadas no sistema. O problema central identificado na reunião não é a ausência de produtores locais, mas sim a sua baixa participação nos procedimentos de compra.
Barreiras para os produtores nacionais
Segundo Yunusov, muitas empresas produzem bens competitivos, possuindo grandes volumes de produção, mas carecem de compreensão dos mecanismos de compras governamentais: elas não sabem a quem recorrer, quais documentos preparar ou como entrar no sistema.
Como resultado, os produtos locais frequentemente chegam às compras governamentais não diretamente, mas através de intermediários. Esses terceiros compram os produtos dos produtores locais, adicionam um acréscimo significativo e participam da licitação em seu próprio nome. De acordo com a agência, isso pode levar o governo a pagar pelo produto local o dobro do seu valor real de mercado.
A agência considera crucial aumentar a conscientização dos produtores. Esta tarefa inclui não apenas esclarecer as normas legais, mas também fornecer assistência prática às empresas no registro nas plataformas, preparação da documentação necessária, cumprimento dos requisitos do contratante e participação correta nas licitações.
Instrumentos de apoio governamental
Para eliminar essas dificuldades, a Agência de Cooperação Industrial e Compras Governamentais está implementando um conjunto de medidas de apoio à produção interna. A própria agência foi estabelecida por decreto presidencial de 4 de fevereiro de 2026, que transferiu ao Ministério da Economia e Finanças as tarefas, funções e poderes na área de compras governamentais, além de consolidar o curso de desenvolvimento da cooperação industrial e da produção local.
Entre as medidas de apoio, há a concessão de financiamento facilitado através de bancos comerciais. Está previsto o empréstimo a juros de 6% ao ano em moeda estrangeira e 12% na moeda nacional, com prazo de até dez anos e período de carência de dois anos. O volume total de crédito pode atingir 5 trilhões de soms.
Subsídios diretos também estão previstos para empresas envolvidas na substituição de importações. O governo está disposto a compensar até 30% dos custos de desenvolvimento de novos bens e serviços, desde que o financiamento de um projeto não exceda 1 milhão de dólares. Yunusov enfatizou que este não é um auxílio temporário a empresas individuais, mas um apoio sistêmico à indústria local. O objetivo da reforma é transformar as compras governamentais de um simples procedimento de seleção de fornecedores em uma ferramenta eficaz de estímulo à produção interna.
Programas educacionais e diálogo com o mercado
Paralelamente às medidas financeiras, a agência está iniciando a implementação de iniciativas educacionais para todos os participantes do sistema de compras governamentais. Em colaboração com os operadores das plataformas de compras, estão sendo desenvolvidos cursos online gratuitos para contratantes governamentais. O programa abordará questões de registro, elaboração de documentos, estratégias de participação em licitações e outros aspectos práticos dos processos de compra.
Anvar Mukhitdinov, presidente da Associação de Participantes das Compras Governamentais, salientou que o sucesso neste sistema depende não apenas do conhecimento das leis, mas também da posse de habilidades práticas, visto que muitas disputas e violações em licitações ocorrem devido à falta de informação entre os participantes.
Os cursos serão disponibilizados nos sites oficiais da agência e dos operadores governamentais de compras, garantindo a acessibilidade do conteúdo para todo o espectro de participantes do mercado — desde compradores públicos até fornecedores iniciantes.
Também está sendo discutida a criação de uma academia especializada para formar especialistas em compras governamentais, baseada na experiência mundial. A concepção desta academia difere da universitária: o foco está na experiência prática dos professores, que trabalham diretamente na área e compreendem os problemas reais do sistema. O treinamento será destinado tanto aos contratantes quanto aos fornecedores.
Mecanismos de interação e próximos passos
Outra área da reforma é o estabelecimento de contato permanente entre o governo, os negócios e a comunidade de especialistas. Em 11 de junho, Tashkent sediou um diálogo aberto sobre compras governamentais, no qual participaram produtores, fornecedores, representantes governamentais e especialistas. Como resultado do encontro, foram coletadas mais de 100 propostas, reclamações e solicitações dos participantes do mercado.
Essas solicitações foram categorizadas em nove áreas, incluindo barreiras para PMEs, requisitos de qualificação, termo técnico, avaliação de propostas, funcionamento das plataformas eletrônicas, relações contratuais e sugestões para alteração da base normativa. Planeja-se realizar diálogos semelhantes a cada dois meses, e as reuniões do Conselho da AGGC — trimestralmente. Os organizadores veem neste mecanismo uma forma não apenas de registrar reclamações, mas de encontrar soluções baseadas no consenso de todos os participantes do mercado.
Com base nos problemas identificados, a agência preparou um projeto de decreto presidencial sobre a reforma aprofundada das compras governamentais, que atualmente está sendo aprovado pelos ministérios relevantes. Yunusov afirmou que a aprovação deste decreto ajudará a resolver várias questões sistêmicas tanto para empreendedores quanto para a economia de fundos orçamentários. O projeto dá especial atenção à formação e requalificação de pessoal empregado no sistema de compras governamentais.
O projeto prevê treinamento obrigatório tanto para o setor privado quanto para o setor público. Essas medidas visam elevar o nível profissional dos participantes e minimizar erros processuais. Representantes da agência afirmam que esta política está alinhada com as tendências mundiais, visto que em países desenvolvidos as compras governamentais são usadas há muito tempo para apoiar a produção nacional, como exigido nos EUA e na China.
Yunusov acrescentou que essa política não contradiz os compromissos do Uzbequistão perante a Organização Mundial do Comércio, pois as medidas de apoio à produção local são permitidas no âmbito dos acordos internacionais, desde que haja desenvolvimento da indústria local e uso eficiente do orçamento. Em breve, espera-se a aprovação do decreto, o lançamento dos cursos online, a realização de novas reuniões com o mercado e o início do trabalho na academia de compras governamentais. A eficácia das reformas será medida pelo aumento da participação de produtos nacionais nas compras governamentais, já que a situação atual, em que os produtos locais custam o dobro do preço de mercado, leva a gastos orçamentários injustificados.